18/03/2010

Emissário Submarino! Você sabe o que é isso? Pois saiba que vão construir um em Ponta Negra!!!‏

 sabe o que é um emissário submarino? Não? Pois saiba que segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo- CETESB, Emissários são sistemas destinados a lançar os esgotos sanitários no meio marinho, visando aproveitar a grande capacidade de depuração do oceano, em função de seu enorme volume de água. E é isso que estão querendo construir em Ponta Negra!!! Segundo um estudo realizado por um grupo de dez especialistas nas áreas de hidrogeologia, engenharia sanitária, gestão ambiental e engenharia costeira apontou que a melhor opção para destinação dos esgotos produzidos na zona Sul de Natal é a implantação de um emissário submarino.

Segundo o engenheiro sanitarista Cícero Andrade Neto, que apresentou o estudo, a equipe levou em consideração 12 possibilidades para destinação final dos esgotos coletados na região de Ponta Negra. Entre elas, a infiltração dos resíduos nas dunas, o lançamento do esgoto tratado no rio Jundiaí, o reuso da água dos efluentes ou o lançamento do esgoto com tratamento secundário no mar. Os especialistas apontaram como melhor opção, entre as 12 alternativas propostas, a construção de um emissário submarino, que lance os esgotos no mar a uma distância de 2.732 metros.

Os dejetos receberão o tratamento denominado do tipo secundário, onde serão retirados os sólidos grosseiros como areia, óleos, graxas e lavagem de gases. O projeto terá ainda lagoas de polimento e filtros para a retenção de algas. Para implantar o projeto, será necessário fazer a adequação da Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) existente em Ponta Negra. Na nova ETE de Ponta Negra, será construída mais uma lagoa de polimento e o filtro de pedras para remoção de algas. O tratamento preliminar, para retirada de sólidos grosseiros e areia, será aperfeiçoado com novos equipamentos e passará a ser mecanizado.

Segundo o engenheiro Edward Brambilla, da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), se não ocorrer uma diluição correta, o nível de oxigênio da água pode baixar e afetar pequenos vegetais e animais que vivem em suspensão na água do mar".

Por isso, antes de instalar um emissário submarino, a empresa de saneamento responsável pela cidade precisar fazer uma série de estudos sobre a região, analisando desde o tamanho da população local até o comportamento das correntes marítimas da área. Também é necessário obter uma licença de órgãos governamentais que cuidam de questões ecológicas.

No Brasil, existem algumas dezenas de emissários submarinos e sub-fluviais, entre os quais os de Ipanema, Barra da Tijuca e Rio das Ostras, no Estado do Rio de Janeiro, o de Fortaleza, Ceará, e os dois de Maceió em Alagoas, Aracaju (Sergipe), Salvador (Bahia), Vitória (Espírito Santo), e Guarujá, Santos, São Vicente e Praia Grande, em São Paulo.

Os ambientalistas alegam que o emissário pode tornar a praia imprópria para banho, aumentando os problemas já provocados pelo esgoto clandestino. Em matéria publicada no Novo Jornal, segundo Yuno Silva, o litoral potiguar é crenulado e as correntes marítimas fazem um movimento de leque que pode trazer para a costa os coliformes fecais. “Não há a certeza de que esses detritos não venham contaminar a praia”, diz. Para ele, a melhor solução seria o tratamento terciário da água, que a deixaria quase potável e pronta para reutilização, “seja em irrigação, seja no ambiente industrial.”

Um documento de divulgação da CAERN informou que opção do reúso foi descartada no presente por não existirem projetos capazes de absorver todo o volume de efluentes tratados, que será da ordem de 62 milhões de litros por dia, mas que poderá vir a ser uma opção futura, uma vez que o sistema é inteiramente reversível.

Segundo o site Ambiente Brasil os Emissários submarinos são considerados boa parte do mundo um modelo ultrapassado e comprovadamente agressor ao meio ambiente de destinação dos resíduos e no Estados Unidos e outros paises desenvolvidos foram desativados todos os emissários submarinos por estarem causando danos ambientais. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo – CETESB afirmou que os emissários submarinos podem causar diversos impactos no meio ambiente marinho, dentre eles o acúmulo de matéria orgânica, excesso de nutrientes (eutrofização), sólidos em suspensão, diminuição da transparência, efeito visual ruim e a possibilidade de contaminação por microorganismos.

A população de Natal precisa ser informada e se manifestar a respeito da construção do Emissário, afinal, uma obra como essa com certeza irá trazer mudanças tanto para o meio ambiente quanto para a qualidade de vida da população!

O Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal realizarão audiência pública amanhã, dia 19 de março de 2010, às 9h na sede da Procuradoria Geral de Justiça, localizada na Rua Promotor Manoel Alves Pessoa Neto, 97 (nas proximidades da Rua Jaguarari e do Condomínio de casas Green Village) e convidam todas as instituições e pessoas que se interessem e/ou que possam contribuir com as questões a serem discutidas na sessão.

O objetivo da audiência será apresentar as considerações técnicas realizadas pela equipe da Fundação Centro Tecnológico de hidráulica, da Universidade de São Paulo, USP acerca do Estudo de Impacto Ambiental – EIA/RIMA apresentado pela CAERN para subsidiar o licenciamento ambiental relativo à instalação de um emissário para lançamento de esgotos sanitários no mar na cidade de Natal.

No mesmo dia, às 19 horas, nós do Instituto Social Íris estaremos promovendo o Café Científico de março, evento aberto a população, onde professores da universitários e membros da comunidade irão debater sobre os aspectos positivos e negativos do emissário submarino. Participem!

O Instituto Social Íris está localizado na Avenida dos Pinherais, 684 no Bairro de Neópolis. Os interessados poderão entrar em contato através do telefone: (84)3217-6590 ou por email: jessica@socialiris.org


Charges de Ivan Cabral publicadas no Diário de Natal







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