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05/04/2010

Sementes crioulas contra ‘promessas transgênicas’

Fonte: Congresso em Foco

“É possível descartar os agrotóxicos sem a necessidade de recorrer a sementes geneticamente modificadas”

O belíssimo documentário “Mulheres da Terra”, sobre o trabalho de camponesas de Santa Catarina com a preservação das sementes crioulas, veio a público nas últimas semanas para contrapor a avassaladora cultura das sementes transgênicas. Produzido pela Plural Filmes, o documentário mostra a profunda relação de camponesas com a terra e reforça que é possível descartar os agrotóxicos sem a necessidade de recorrer a sementes geneticamente modificadas.

Com 27 minutos, o documentário mostra a luta de seis camponesas em preservar a tradição e defender um futuro de biodiversidade por meio de sementes crioulas, que são sementes guardadas, reproduzidas e melhoradas milenarmente por comunidades tradicionais. Essas sementes aparecem como uma opção para pequenos agricultores que desejam uma forma de germinar mais resistente, com sementes mais fortes, porque foram escolhidas por meio da seleção natural.

Diferentemente das promessas comerciais que envolvem sementes geneticamente modificadas – que visam menor custo com maior rentabilidade –, as sementes crioulas têm suas raízes na tradição passada de pai para filho, na troca, na agroecologia. Acima de tudo, a cultura das sementes crioulas presa pela diversidade de plantas e cultivos, pelo respeito ao tempo da natureza, pela preservação das espécies nativas.

“(...) O homem pensa na terra em como ganhar dinheiro, forma de lucro, e ele não se dá conta de que, dependendo do que ele está colocando na terra para tirar aquele lucro, ele está matando a terra” – Zenaide T. Milan da Silva, uma das agricultoras do Movimento de Mulheres Camponesas de Santa Catarina, de que trata o documentário.

O documentário é tocante e revela a lógica da real sustentabilidade e a manutenção de uma agricultura sustentável, onde o plantio convive pacificamente com áreas de preservação. Aliás, não só convive, como se auto-complementa. A mata ajuda a preservar as sementes crioulas e sua riqueza genética, enquanto as sementes crioulas preservam a fertilidade do solo e mantêm fortes e vivas as áreas preservadas.

“A transformação, eu tenho certeza, que ela vem através da semente. A semente que a gente resgata, a semente das organizações, a semente das atitudes. Tem que ser pela semente. Nós somos uma semente. Isso não precisa aprender numa faculdade. Isso tem que sentir que está na hora de mudar. É uma transformação mágica” – Lourdes Bodaneze, também camponesa do movimento.

O documentário é a história de mulheres que “cuidam da terra e são cuidadas por ela”, como bem diz o produtor Will Martins, e “a semente crioula aparece como uma tendência para o futuro”. “Essas camponesas não estão fazendo só um plantio, mas estão plantando uma história. A agricultura é um dos empregos mais antigos do mundo, que elas estão projetando para o futuro”, conclui Will.

Sem mais delongas, segue para o deleite do público o documentário “Mulheres da Terra”.


Veja aqui - Parte 1 e Parte 2


09/03/2010

Relatório revela impactos negativos dos transgênicos

Fonte: Adital

Reforçando as publicações científicas que negam a utilidade dos transgênicos como medida para reduzir os efeitos das mudanças climáticas, a ONG Amigos da Terra Internacional lançou, no último mês de fevereiro, o relatório "Quem se beneficia dos cultivos transgênicos?". A publicação aborda e esclarece os verdadeiros efeitos que os cultivos de transgênicos causam à saúde e ao meio ambiente.

O relatório foi publicado ao mesmo tempo em que o Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações de Agrobiotecnologias (ISAAA, por sua sigla em inglês) lançou sua publicação anual financiada pela indústria biotecnológica. O "Global Status of Commercialized Biotech" tem como foco promover os transgênicos e incentivar seus cultivos como a melhor saída para o combate à fome e à pobreza.

Desvendando a realidade, os Amigos da Terra Internacional, por meio de estudos e da coleta de dados atuais analisa as áreas de cultivos de organismos geneticamente modificados (OGM) no mundo e divulga os impactos sofridos pelos países que os plantaram. As informações agrupadas no relatório vão de encontro à hipótese de que os transgênicos podem combater as mudanças climáticas e a fome e afirmam que as suposições são "exageradas e totalmente prematuras".

A afirmação categórica dos Amigos da Terra se deve ao fato de que estudos têm comprovado que os OMG estão causando mais malefícios do que benefícios. A prova, segundo relata o estudo da ONG, é que os cultivos de transgênicos estão incrementando as emissões de carbono e não estão ajudando a solucionar os problemas da fome no mundo. "Isto se deve ao fato de os cultivos transgênicos serem responsáveis por espetaculares aumentos no uso de pesticidas, tanto nos EUA como na América Latina, intensificando o uso de combustíveis fósseis", esclarece o relatório.

Dados recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos confirmaram que em 2008, os cultivos de transgênicos necessitaram de 26% a mais de pesticidas por hectare que as plantações tradicionais. No caso do Brasil, um estudo promovido pelo Governo em 2007 comprovou que o uso do herbicida glifosato cresceu 80% entre 2000 e 2005, quando a soja transgênica foi inserida no país.

A Argentina também passa por uma situação alarmante em decorrência dos transgênicos. Segundo o relatório, mais de 200 mil hectares de bosque primário desaparecem a cada ano para dar espaço às plantações de soja transgênica. A América do Sul é hoje a principal afetada pelo desmatamento em decorrência das plantações de soja transgênica.

Segundo o documento "Quem se beneficia dos cultivos transgênicos?", menos de 3% da área agrícola mundial está ocupada por plantações transgênicas e mais de 99% do que é produzido serve à alimentação de animais e para a produção de biocombustíveis. Por meio desses dados, os Amigos da Terra nos levam a refletir sobre como é possível que os transgênicos sejam uma saída para a fome se o que é cultivado não serve para a alimentação das populações pobres.